Tiradentes e o Marechal Teodoro da Fonseca.
Mas o espírito cívico parece estar adormecido nestes anos onde a democracia j[a é realidade em solo nacional. Talvez você não concorde com isso e eu mesmo acho que estou sendo muito radical, afinal não nos unimos ao redor da bandeira verde-amarela para impulsionar com nossos gritos a seleção brasileira rumo ao gol da vitória? Ou até ficamos emocionados quando, fora de nosso país, topamos com esta flâmula de lábaro estrelado? Eu mesmo já me flagrei tirando fotografia da bandeira nacional em uma das minhas excursões em solo argentino.
Mas será que este é o verdadeiro espírito cívico que deveríamos cultivar? Este zelo pelo Brasil não está somente presente na superfície de nossa pele? Não está dormente em nós aquele desejo de ver nosso país como um lugar decente para viver? Em ano de eleições gerais, será que estamos antenados com a seriedade do processo eleitoral ou a decepção diante da corrupção reinante no meio político tirou de nós o gosto de ir às urnas para votar?
Cito as eleições gerais porque pessoalmente acredito que não há nenhum outro gesto que seja mais cívico do que aquele de eleger nossos representantes legais. Mas repito: há tanta nebulosidade no mundo da política brasileira que cada vez menos gente parece acreditar que algo do bom possa vir deste ambiente. Na boca e no pensamento de cada brasileiro parece ecoar a célebre frase do escritor inglês William Shakespeare, permitindo-me aqui a paráfrase: ”Há algo de podre no reino da política brasileira”. Confesse-me, não é assim que você percebe a vida da política nacional, como algo que estragou e cujo odor sufoca as narinas?
Acho que esta percepção é a que mais incomoda os jovens, que cercados de um desânimo total, vivem cada vez mais alheios ao mundo ao seu redor. Para que se preocupar com políticos? Tenho coisas mais importantes a fazer na minha vida do que gastar energias com assuntos políticos! Palavras duras, mas que carregam uma verdade triste: nossos jovens perderam a confiança no discurso de nossos governantes. Aquela politização dos anos 1960 há muito abandonou a juventude nacional.
Mas a constatação do fato não significa a aceitação passiva do mesmo. É preciso redescobrir o valor da política, tudo o que ela significa para a vida cotidiana e insistir na participação ativa e consciente de nossos jovens no processo eleitoral. Para levar sua opinião até uma urna eleitoral foi uma dura conquista de gerações anteriores e por nada neste mundo podemos deixar que este direito seja perdido. Ainda que algo de podre reine no mundo da política, somente nossa presença e cobrança popular poderão retirar as maçãs estragadas do cesto. Seu voto tem força e votar é um gesto cívico tão excitante quanto gritar euforicamente quando nossa seleção faz um gol no adversário.
Jovens, um pedido: Título de Eleitor na mão, olhar atento aos discursos políticos os, esperança de um futuro melhor e cabeça erguida na hora do voto. Vendê-lo jamais, desperdiçá-lo nunca, valorizá-lo sempre, dos dezesseis até quando for possível. E que nunca mais mais precisemos de aulas formais de civismo para entender que dele depende o futuro feliz de nosso país.
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R
“Revista de Aparecida”
Ano 09 n.100 Julho de 2010 |