
Toda vez que o papa repete que o preservativo não é uma solução para a Aids reaquecem-se as polêmicas. Uma das mais rumorosas estourou quando Bento XVI enquanto viajava pela África, a região do mundo mais atingida por esta doença, disse aos jornalistas que a Aida é uma tragédia que não pode ser resolvida só com dinheiro, nem com a distribuição e preservativos, que podem até agravar o problema. Suas palavras desencadearam, imediatamente, uma chuva de críticas de todas as partes, que reagiram com “consternação”, viva inquietude”, “indignação”, “estupor”. Mas será que foram reações bem fundamentadas? Diria que não?
Primeiramente, muitos que atacam o papa e a Igreja por se oporem ao uso de preservativos como solução do problema do HIV, frequentemente esquecem que 27% das obras em favor dos aidéticos são promovidas pela Igreja, que recebe apenas 2% dos financiamentos do Fundo Mundial. Em segundo lugar, a experiência comprova que o uso do preservativo não impede efetivamente a difusão do contágio do vírus. Em Honduras, por 20 anos, os preservativos foram distribuídos gratuitamente e a epidemia aumentou. Enquanto que em Uganda, onde a Igreja em parceria com outras associações, ONG’s e governo, lançou uma campanha de educação sexual, o resultado foi a contenção do avanço do vírus.
Uma sexualidade verdadeiramente humana é vivida de maneira responsável. Não somos só instinto: somos seres racionais e devemos usar a razão. Cada pessoa é única e deve ser considerada na sua integralidade.
As armas necessárias.
A luta contra Aids não gira em torno do preservativo. Para enfrentar o problema é precisa uma liderança forte em todos os níveis. Já existem progressos, mas o HIV continua sendo o principal obstáculo na busca dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, fixados pela ONU, pois produz um incalculável sofrimento humano e ameaça a infraestrutura social e econômica de toda a família humana.
É preciso fazer mais, sobretudo pelas crianças, que este ano são objeto de atenção especial da Caritas Internacional, organismo do qual sou presidente. Atualmente, um terço dos adultos infectados tem acesso aos medicamentos específicos, enquanto que só 15% das crianças aidéticas recebem estes remédios essenciais. Tanto as empresas farmacêuticas quanto os governos devem tomar iniciativas concretas para desenvolver tratamentos pediátricos contra a Aids. Campanhas eficazes de educação são necessárias para se evitar que mais crianças inocentes continuam morrendo.
O papel da Caritas nesta luta
Contudo, sinto-me confortado diante da ação da Caritas e de seus colaboradores católicos no enfrentamento de pandemia do HIV. Juntos, estamos trabalhando para eliminar a discriminação e para elaborar políticas em favor dos mais vulneráveis ao virus da Aids.
O capital de uma pessoa pobre é sua saúde. Devemos nos empenhar mais para aumentar este patrimônio.
“Mundo e Missão” Ano 16
N0 16 - Novembro de 2009
Dom Oscar Andrés R. Maradiaga - Honduras |