QUARESMA – TEMPO DE PREPARAÇÃO PARA A PÁSCOA - 1ª PARTE
O termo “Quaresma” não evoca toda a densidade e significado do tempo litúrgico que nela se celebra. Daí o acréscimo em nosso subtítulo: “tempo de preparação para a páscoa”. Nossa língua não tem um vocabulário para exprimir o espírito desse período, como o alemão que fala de “tempo de jejum, de abstinência”, termos estes, entretanto, considerados inadequados, hoje em dia, porque a reforma da Quaresma só deixou dois dias obrigatórios de jejum: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa.
Além disso, a Quaresma tem sido encarada mais sob o aspecto negativo, quando sua nota fundamental é a de ser um tempo de alegre preparação para a Páscoa, como o é o Advento para o Natal, pois, além das obras de mortificação e renúncia, o que se exige neste período é sempre uma abertura maior para com a Palavra de Deus e um zelo mais intenso na participação do culto divino e no exercício de uma caridade fervente e ativa da mente e do coração, segundo o termo grego empregado no Evangelho: metanoia (Mc 1,15) em todos os domínios da vida.
Na celebração da Quaresma é preciso valorizar o aspecto positivo do jejum, que não se reduz à mera privação de alimento, mas tem um sentido mais amplo, que é o de contenção interior de tantas comodidades que a vida moderna oferece. Nossa época precisa de reencontrar esse valor, como disse alguém: “São justamente as épocas que perderam esse elemento moldural antiqüíssimo e imprescindível do tempo da preparação para a Páscoa (que o diga nossa sociedade do bem estar e do consumo) que necessitam que lhes venha lembrar a palavra segundo a qual só lucrará verdadeiramente nesta quarenta dias aquele que redescobre o jejum.A surpreendente constatação para aquele que volta a jejuar, e a de que o verdadeiro jejum nos abre não só no sentido do vertical (pois não foi sem razão que na mente dos antigos os dois conceitos de jejum e oração fundiram-se em uma unidade), mas também, o que é notável, em sentido horizontal.
Na realidade, parece que a atenuação da prática do jejum é a expressão do ceticismo e da atitude de reserva com respeito às ricas experiências da Igreja primitiva que se sedimentaram no único antigo prefácio desta Quaresma, onde se lê o seguinte: “Pela penitência desta Quaresma, corrigis os nossos vícios, elevais os nossos sentimentos, e nos dais força e recompensa por Cristo, Senhor nosso.” Nosso Missal em vernáculo conservou o título antigo de “Quaresma”, mas é preciso esforço para que este não seja mera consideração pelo rico passado de prática penitencial desse período de preparação pascal, porque mesmo os títulos veneráveis tendem a se banalizar na consciência dos homens, e é preciso reavivá-los por uma visão renovada do mistério pascal: é preciso recarregá-los de sentido.
ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2010
Ó Deus Criador, do qual tudo nos vem,
nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo
que existe como dádiva gratuita para a vida.
Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica,
acolhemos a graça da unidade e da convivência fraternal,
aprendendo a ser fiéis ao Evangelho.
Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender
que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha
entre todos nós, teus filhos e filhas.
Reconhecemos nossos pecados de omissão
diante das injustiças, que causam exclusão social e miséria.
Pedimos para todas as pessoas
que trabalham na promoção do bem comum
e na condução de uma economia a serviço da vida.
Guiados pelo teu Espírito,
Queremos viver o serviço e a comunhão,
promovendo uma economia fraterna e solidária,
para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino.,
Por Cristo, nosso Senhor.
Dados do livro: “O Ano Litúrgico” de Adolf Adam
Edições Paulinas 1983
Pirapora do Bom Jesus, 23 de Fevereiro de 2010.
Côn. Godofredo Chantrain o prem. |